10 de mai de 2017

Porta-memórias


Claramente "blogueira" não está entre as cinco palavras que me classificam pois certamente é merecedora desse título quem, ao menos, faz um post por mês, hahaha. Mas manter o link desse blog em algumas redes sociais me faz crer que isso aqui tem algum propósito, e aqui tem tanta causos...

Depois da balela introdutória, como sempre, eis o que justifica essa postagem: por que ter um blog?

Eu tenho blog desde os meus 12 anos. Eu queria criar um flog, mas blog era a palavra mais aproximada de flog que eu vi no menu da AOL. Nessa época descobri a internet e meus pais ficavam loucos pois eu passaria a ficar mais de 1 hora online e, oras, internet discada, o telefone ficava off, então eu tinha que convencer que o que eu fazia ali era muito importante.

Ctrl+c e V foram um grande avanço na minha vida. Eu digitava todo o código para colocar os gifs piscantes feitos pela falecida Candy Dolls. Eu nunca tive dificuldade para escrever pois inventar assunto era o que eu mais fazia para manter o blog. Também o blog sempre foi um meio de expressão: sempre fui fechadona, e expor aqui o que eu vivencio, acredito sempre foi uma boa ideia.

Depois de ler esse texto do Pablo Cerdeira, reafirmo ainda mais: tenham um blog! Eu fico encabulada toda vez que alguém fala que leu meu blog, mas poxa, aqui só está em texto e imagens selecionadas o que, certamente, eu contaria para alguém em uma conversa descompromissada. Pablo diz em seu texto:

"(...)você não precisa ser alguém com conteúdo original para ter seu próprio blog. E nem é preciso ter a ambição de ter um blog super visitado. Basta que você queira ter maior controle sobre seu conteúdo, em especial se você está pensando no médio e longo prazo. Pense em um blog não necessariamente como um site de uma empresa, que tem que estar sempre atualizado. Pense mais como um espaço seu aberto a quem interessar, que você controla, e que pode servir como uma espécie de backup das coisas que você acha interessante e que gostaria de compartilhar com os outros."

Que assim seja para todos! Por mais que ter um blog virou uma oportunidade de carreira, quantos blogs perdem a identidade justamente por ter fins além do de ser um "porta-memórias"?

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22 de mar de 2017

Hostel em Florianópolis

O ultimo post da série de Florianópolis, depois de meses, é o que eu relato sobre o Hostel que eu me hospedei, o hostel Sunset Backpackers, na Lagoa da Conceição. Então senta que lá vem história...

Eu nunca tinha passado pela experiência de ficar em hostel. Como eu estava em grupo e tinha gente articulando a hospedagem, resolvi confiar e fui. Toda a articulação de reserva e negociação de preço foi ótima, a colega que organizou foi maravilhosa e o hostel pareceu atrativo frente a concorrência. Eramos mais de 10 pessoas e a diária saiu por R$ 35, mais umas cortesias como internet, café da manhã e uma caipirinha por dia no bar do hostel.

Bar do Hostel


Um pouco da vista do bar

Uma selfie de um dos "mirantes" do hostel

Quando chegamos eu já comecei a me assustar. O lugar é muito diferente: a entrada do hostel fica no topo de um morro e o mesmo "cresce" ladeira a baixo depois dessa entrada. Para ir para os quartos você tem que descer uma escada de pedra cansativa, um pouco irregular e descoberta. Horrível pra quem tá com mala, terrível para subir depois, terrível em dia de chuva... Ficamos em um quarto misto, super simples, pouco confortável, não tão asseado e seguro. Não tinha onde guardar os pertences com segurança e mesmo tendo muita gente de um mesmo grupo, houve uma rotatividade de gente desconhecida no nosso quarto que não estava previsto.

Não tinha banheiro no quarto e um dos lugares disponíveis para tomar banho era, literalmente, uma cabana com chuveiro, fazendo com que fosse necessários as pessoas atravessarem para ir até lá. Ah, se é uma cabana, então o lugar não era fechado, moderno... Não era convidativo tomar banho a noite ali e, pra gente que foi em Floripa no Inverno, também estranhamos a proposta de banho, hehe.

Resumindo e sendo bem direta, é um lugar que eu me hospedaria novamente apenas se fosse para ficar em um quarto mais privativo, se fosse muito barato ou alguma grande cortesia e se meu interesse fosse apenas ir nas praias que cito logo abaixo. A expectativa criada pelas fotos do hostel na internet decepcionam mesmo. Talvez lá não seja um hostel para se hospedar no inverno e para quem não está acostumado em fazer mochilão. Cogitar me hospedar lá outra vez é porque teve alguns pontos a favor que considero:
 - O bar do hotel é ótimo. Comida deliciosa. A caipirinha cortesia (até um certo horário) não é a mais interessante que já tomei, mas valia para dar uma aquecida. O lugar também tem uma vista linda;
 - Essa vista linda é ainda melhor no café-da-manhã. O café é bem simples, sem muita variedade, mas eles tinham uns pães tão gostosos, que também fazia valer;
Lanche maravilhoso do bar

 - A localização, apesar de um morro hiper chato pra subir a pé, fica relativamente perto da Lagoa. Descemos de ônibus que para bem na porta para do hostel para o centrinho da Lagoa, mas na volta (a experiência contada no post anterior) fiz a pé. Achei tranquilo e fui meio ousada andando ali a noite só. Mas não senti perigo!;
Ainda no ponto localização, o hostel fica praticamente em frente a dois pontos legais: a trilha que leva a praia do Gravatá e a praia do Mole. Antes de ir para o aeroporto, fiz a trilha e fiquei alguns minutos na praia. A trilha não é cuidada, não espere algo pré-estabelecido. Mas não é impossível. Acho que foram uns 30 min de caminhada, mas valeu!

Foto panorâmica da vista da Praia do Mole (esquerda) e Praia do Gravatá (direita)


Praia do Gravatá



É isso. Não tem muito o que dizer. Depois dessa experiência, indico SEMPRE dar uma olhada nas avaliações na internet. O que eu li de comprometedor sobre o lugar (até hoje, antes de escrever esse post), eu realmente entendo e considero. Mas também entendo o serviço frente o valor. Uma experiência relatada vale mais que mil fotos!

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13 de jan de 2017

Entendendo algumas nuâncias

No post anterior comentei que fui para Florianópolis, fiquei em um hotel bem legal e foram momentos bem reflexivos, né? Então a continuação é ainda mais densa e reflexiva.

O fato é: eu nunca me senti tão só estando rodeada de tanta gente. Foi umas das sensações mais desoladoras que já tive. Eu sempre fui do time de não ficar muito em grupinhos, fechar a cara e deixar claro que não queria contato. Sempre foi bem natural esse comportamento. Nunca tive muita paciência e sempre foi 'normal' que as pessoas que estavam a minha volta entenderem que tá tudo ok, só é um dia sem risadinha. Porém, foi em Floripa, tão longe de casa, que percebi que não existia mais na minha rotina as tais "pessoas que estavam a minha volta".

Tem falas de professores do meu ensino fundamental que eu nunca vou me esquecer. A primeira é que quando entramos na quinta série, perdemos toda a nossa liberdade de imaginação e escrita. As coisas começam a ter regras, a serem categorizadas. A minha vontade de experimentação, intrínseca na minha personalidade, deixou que isso não acontecesse naquele instante, mas em algum momento aconteceu. A professora estava certa.

A segunda teoria é que os nossos melhores amigos, que vão ficar pra nossa vida toda são aqueles do fim do ensino fundamental, início do ensino médio. Depois vira tudo competição, cada um tem uma rotina. Essa teoria não aceitei tanto. Mas é uma teoria verdadeira. O fato é que não se constroi amizades quando não se tem uma rotina de relacionamento. Quando somos mais novos, a nossa rotina é muito fácil, muito previsível.

Ok, mas o que a viagem tem a ver com tudo isso? Foi ali que eu percebi que encontros e situações rotineiras não construíram uma amizade, que entende, "saca" aquelas nuâncias necessárias para as que "coisas" funcionem. Eu vivi um 2015 denso, cheio de altos e baixos, supondo que estava sendo altruísta e que em algum momento eu receberia um retorno. Passei 2016 inteiro tentando entender o que foi 2015. Não tenho conclusões certeiras.

Bom, voltando a viagem, resolvi dar uma volta pela cidade porque andar em grupo estava sendo um atraso de vida (era MUITA gente, cada um acha algo importante). Eu gosto de conhecer as coisas, o máximo que posso, porque eu não sei quando teria novamente um oportunidade de voltar ali. Então procurei no google maps "pontos turísticos". Já estava no meio da tarde e não dava para escolher um itinerário longe porque eu também não queria dar mole de ficar andando em um lugar que nem conheço a noite. No Maps vi uma igreja que parecia legal e dava para vê-la lá no alto, então resolvi ir lá. E fui seguindo o maps, andando e andando e andando pra sempre. E subi um morro enorme (eu nunca vou me acostumar, amo Brasília por me proporcionar uma vida sem morros). Cheguei e lá estava eu, em um lugar só, cheio de mato em volta, no 'quintal' de uma igreja fechada. Lá não tinha nada de interessante e a igreja não ia abrir. Tirei umas selfies e voltei.

Cemitério que tinha no caminho
Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição






No caminho tinha um coworking chamado 'o Sítio'. Me atrevi a "entrar" pra conhecer. Fui recebida educadamente por alguém que trabalha no espaço e só. Apesar de uma cidade "moderna", Brasília se perde na expressão da sua modernidade na rotina das pessoas. Esse tipo de espaço ainda não é comum aqui na cidade. Lugar maneiro, não me aprofundei muito, nada de mais, e só ;)



Na volta, fui andando e andando e resolvi voltar andando pro hostel (que é outra longa história). Nisso tinha que se rodear boa parte da lagoa. Nessa andança eu fui pensando, refletindo o porquê que eu estava sozinha ali e tinha feito essa escolha de andar sem companhia por aí. Eu não fazia ideia da onde estava, refletia se tinha sido uma boa escolha ficar na cidade esses dois dias a mais, o que tinha de errado com a minha personalidade ao ponto de ninguém fazer questão da minha companhia. É, reflexões difíceis e uma ou outra lágrima caindo. No caminho, uma moça muito colorida passou por mim. Hoje eu lembro pouco das feições dela, mas ela estava com roupa, maquiagem e cabelos coloridos. Passou por mim e logo me chamou. Me parou e me deu uma flor. "Essa flor nunca morre, assim como a nossa alma. Espero que ela te alegre e ilumine". Agradeci e continuei meu caminh, com o galho de flor na mão e pensando o que tinha significado aquilo. Claro que ela viu minhas feições tristes, mas o que ela fez ali foi se um significado e sutileza gigantes. Acalmou meu corasção.
Mais pra frente no caminho encontrei "um pessoal que estava no mesmo evento que eu, de Brasília, mas que eu conheci no dia anterior. "E aí Ester", lembraram do meu nome, me perguntaram porque não estava com meus colegas e disseram que tinham acabado de encotnrar eles. Parte do nosso caminho se coincidia, então fomos caminhando. Falaram dos planos para mais tarde e me convidaram: "aparece lá, tá aqui meu telefone, qualquer coisa me liga!".

Como a flor está hoje. A cor está menos intensa, mas tá aí. Deixo esse ramo guardado dentro de uma caixinha de papel.


Seria um esforço gigantesco ir e socializar, isso é muito difícil! O lado bom da história é que quando eu finalmente reencontrei meus colegas, eles tinham os mesmos planos.

Era um pub de Jazz, bem hipster. Finalmente entendi o sentido de alternativo. Para entrar, você pagava "quanto quiser". Quem toca é quem gosta de jazz, então se eu soubesse tocar, podia invadir o palco e participar dos arranjos da galera. Quem não sabia tocar mas estava  animado, se contentava em ficar dançando em volta do mini-palco. O espaço tem dois andares e é minúsculo! Logo lotou e acabou que a galera que me chamou pra ir nem consegui entrar. Não fiquei mais de duas horas no lugar porque logo em entendiei, e fui embora. Ainda sim, foi bem interessante, fiquei com vontade de frequentar ambientes de jazz e, sem dúvida, voltaria lá.

Foto no espelho da escada com algumas colegas. 

Nesse dia, meu dia terminou indo para o hostel e um esforço pra dormir tranquila.

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