22 de mar de 2017

Hostel em Florianópolis

O ultimo post da série de Florianópolis, depois de meses, é o que eu relato sobre o Hostel que eu me hospedei, o hostel Sunset Backpackers, na Lagoa da Conceição. Então senta que lá vem história...

Eu nunca tinha passado pela experiência de ficar em hostel. Como eu estava em grupo e tinha gente articulando a hospedagem, resolvi confiar e fui. Toda a articulação de reserva e negociação de preço foi ótima, a colega que organizou foi maravilhosa e o hostel pareceu atrativo frente a concorrência. Eramos mais de 10 pessoas e a diária saiu por R$ 35, mais umas cortesias como internet, café da manhã e uma caipirinha por dia no bar do hostel.

Bar do Hostel


Um pouco da vista do bar

Uma selfie de um dos "mirantes" do hostel

Quando chegamos eu já comecei a me assustar. O lugar é muito diferente: a entrada do hostel fica no topo de um morro e o mesmo "cresce" ladeira a baixo depois dessa entrada. Para ir para os quartos você tem que descer uma escada de pedra cansativa, um pouco irregular e descoberta. Horrível pra quem tá com mala, terrível para subir depois, terrível em dia de chuva... Ficamos em um quarto misto, super simples, pouco confortável, não tão asseado e seguro. Não tinha onde guardar os pertences com segurança e mesmo tendo muita gente de um mesmo grupo, houve uma rotatividade de gente desconhecida no nosso quarto que não estava previsto.

Não tinha banheiro no quarto e um dos lugares disponíveis para tomar banho era, literalmente, uma cabana com chuveiro, fazendo com que fosse necessários as pessoas atravessarem para ir até lá. Ah, se é uma cabana, então o lugar não era fechado, moderno... Não era convidativo tomar banho a noite ali e, pra gente que foi em Floripa no Inverno, também estranhamos a proposta de banho, hehe.

Resumindo e sendo bem direta, é um lugar que eu me hospedaria novamente apenas se fosse para ficar em um quarto mais privativo, se fosse muito barato ou alguma grande cortesia e se meu interesse fosse apenas ir nas praias que cito logo abaixo. A expectativa criada pelas fotos do hostel na internet decepcionam mesmo. Talvez lá não seja um hostel para se hospedar no inverno e para quem não está acostumado em fazer mochilão. Cogitar me hospedar lá outra vez é porque teve alguns pontos a favor que considero:
 - O bar do hotel é ótimo. Comida deliciosa. A caipirinha cortesia (até um certo horário) não é a mais interessante que já tomei, mas valia para dar uma aquecida. O lugar também tem uma vista linda;
 - Essa vista linda é ainda melhor no café-da-manhã. O café é bem simples, sem muita variedade, mas eles tinham uns pães tão gostosos, que também fazia valer;
Lanche maravilhoso do bar

 - A localização, apesar de um morro hiper chato pra subir a pé, fica relativamente perto da Lagoa. Descemos de ônibus que para bem na porta para do hostel para o centrinho da Lagoa, mas na volta (a experiência contada no post anterior) fiz a pé. Achei tranquilo e fui meio ousada andando ali a noite só. Mas não senti perigo!;
Ainda no ponto localização, o hostel fica praticamente em frente a dois pontos legais: a trilha que leva a praia do Gravatá e a praia do Mole. Antes de ir para o aeroporto, fiz a trilha e fiquei alguns minutos na praia. A trilha não é cuidada, não espere algo pré-estabelecido. Mas não é impossível. Acho que foram uns 30 min de caminhada, mas valeu!

Foto panorâmica da vista da Praia do Mole (esquerda) e Praia do Gravatá (direita)


Praia do Gravatá



É isso. Não tem muito o que dizer. Depois dessa experiência, indico SEMPRE dar uma olhada nas avaliações na internet. O que eu li de comprometedor sobre o lugar (até hoje, antes de escrever esse post), eu realmente entendo e considero. Mas também entendo o serviço frente o valor. Uma experiência relatada vale mais que mil fotos!

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13 de jan de 2017

Entendendo algumas nuâncias

No post anterior comentei que fui para Florianópolis, fiquei em um hotel bem legal e foram momentos bem reflexivos, né? Então a continuação é ainda mais densa e reflexiva.

O fato é: eu nunca me senti tão só estando rodeada de tanta gente. Foi umas das sensações mais desoladoras que já tive. Eu sempre fui do time de não ficar muito em grupinhos, fechar a cara e deixar claro que não queria contato. Sempre foi bem natural esse comportamento. Nunca tive muita paciência e sempre foi 'normal' que as pessoas que estavam a minha volta entenderem que tá tudo ok, só é um dia sem risadinha. Porém, foi em Floripa, tão longe de casa, que percebi que não existia mais na minha rotina as tais "pessoas que estavam a minha volta".

Tem falas de professores do meu ensino fundamental que eu nunca vou me esquecer. A primeira é que quando entramos na quinta série, perdemos toda a nossa liberdade de imaginação e escrita. As coisas começam a ter regras, a serem categorizadas. A minha vontade de experimentação, intrínseca na minha personalidade, deixou que isso não acontecesse naquele instante, mas em algum momento aconteceu. A professora estava certa.

A segunda teoria é que os nossos melhores amigos, que vão ficar pra nossa vida toda são aqueles do fim do ensino fundamental, início do ensino médio. Depois vira tudo competição, cada um tem uma rotina. Essa teoria não aceitei tanto. Mas é uma teoria verdadeira. O fato é que não se constroi amizades quando não se tem uma rotina de relacionamento. Quando somos mais novos, a nossa rotina é muito fácil, muito previsível.

Ok, mas o que a viagem tem a ver com tudo isso? Foi ali que eu percebi que encontros e situações rotineiras não construíram uma amizade, que entende, "saca" aquelas nuâncias necessárias para as que "coisas" funcionem. Eu vivi um 2015 denso, cheio de altos e baixos, supondo que estava sendo altruísta e que em algum momento eu receberia um retorno. Passei 2016 inteiro tentando entender o que foi 2015. Não tenho conclusões certeiras.

Bom, voltando a viagem, resolvi dar uma volta pela cidade porque andar em grupo estava sendo um atraso de vida (era MUITA gente, cada um acha algo importante). Eu gosto de conhecer as coisas, o máximo que posso, porque eu não sei quando teria novamente um oportunidade de voltar ali. Então procurei no google maps "pontos turísticos". Já estava no meio da tarde e não dava para escolher um itinerário longe porque eu também não queria dar mole de ficar andando em um lugar que nem conheço a noite. No Maps vi uma igreja que parecia legal e dava para vê-la lá no alto, então resolvi ir lá. E fui seguindo o maps, andando e andando e andando pra sempre. E subi um morro enorme (eu nunca vou me acostumar, amo Brasília por me proporcionar uma vida sem morros). Cheguei e lá estava eu, em um lugar só, cheio de mato em volta, no 'quintal' de uma igreja fechada. Lá não tinha nada de interessante e a igreja não ia abrir. Tirei umas selfies e voltei.

Cemitério que tinha no caminho
Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição






No caminho tinha um coworking chamado 'o Sítio'. Me atrevi a "entrar" pra conhecer. Fui recebida educadamente por alguém que trabalha no espaço e só. Apesar de uma cidade "moderna", Brasília se perde na expressão da sua modernidade na rotina das pessoas. Esse tipo de espaço ainda não é comum aqui na cidade. Lugar maneiro, não me aprofundei muito, nada de mais, e só ;)



Na volta, fui andando e andando e resolvi voltar andando pro hostel (que é outra longa história). Nisso tinha que se rodear boa parte da lagoa. Nessa andança eu fui pensando, refletindo o porquê que eu estava sozinha ali e tinha feito essa escolha de andar sem companhia por aí. Eu não fazia ideia da onde estava, refletia se tinha sido uma boa escolha ficar na cidade esses dois dias a mais, o que tinha de errado com a minha personalidade ao ponto de ninguém fazer questão da minha companhia. É, reflexões difíceis e uma ou outra lágrima caindo. No caminho, uma moça muito colorida passou por mim. Hoje eu lembro pouco das feições dela, mas ela estava com roupa, maquiagem e cabelos coloridos. Passou por mim e logo me chamou. Me parou e me deu uma flor. "Essa flor nunca morre, assim como a nossa alma. Espero que ela te alegre e ilumine". Agradeci e continuei meu caminh, com o galho de flor na mão e pensando o que tinha significado aquilo. Claro que ela viu minhas feições tristes, mas o que ela fez ali foi se um significado e sutileza gigantes. Acalmou meu corasção.
Mais pra frente no caminho encontrei "um pessoal que estava no mesmo evento que eu, de Brasília, mas que eu conheci no dia anterior. "E aí Ester", lembraram do meu nome, me perguntaram porque não estava com meus colegas e disseram que tinham acabado de encotnrar eles. Parte do nosso caminho se coincidia, então fomos caminhando. Falaram dos planos para mais tarde e me convidaram: "aparece lá, tá aqui meu telefone, qualquer coisa me liga!".

Como a flor está hoje. A cor está menos intensa, mas tá aí. Deixo esse ramo guardado dentro de uma caixinha de papel.


Seria um esforço gigantesco ir e socializar, isso é muito difícil! O lado bom da história é que quando eu finalmente reencontrei meus colegas, eles tinham os mesmos planos.

Era um pub de Jazz, bem hipster. Finalmente entendi o sentido de alternativo. Para entrar, você pagava "quanto quiser". Quem toca é quem gosta de jazz, então se eu soubesse tocar, podia invadir o palco e participar dos arranjos da galera. Quem não sabia tocar mas estava  animado, se contentava em ficar dançando em volta do mini-palco. O espaço tem dois andares e é minúsculo! Logo lotou e acabou que a galera que me chamou pra ir nem consegui entrar. Não fiquei mais de duas horas no lugar porque logo em entendiei, e fui embora. Ainda sim, foi bem interessante, fiquei com vontade de frequentar ambientes de jazz e, sem dúvida, voltaria lá.

Foto no espelho da escada com algumas colegas. 

Nesse dia, meu dia terminou indo para o hostel e um esforço pra dormir tranquila.

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26 de out de 2016

Floripa


No final de Julho tive a oportunidade de ir para Florianópolis para um congresso de empresários juniores, o JEWC. Esses eventos são bem legais, motivadores, inspiradores e são uma oportunidade para pisar em terras diferentes por um preço maneiro, já que nesses eventos costumamos pagar um combo de hotel+alimentação+evento a um preço muuito abaixo do normal. Nada mais justo também aproveitar a ida a uma cidade nova para ter experiências novas.

Acabei decidindo ficar mais dois dias, considerando que o valor das passagens para voltar pra casa no Domingo me ajudou nesta decisão. Também não estava em uma época boa da minha vida, principalmente a acadêmica e profissional, então a oportunidade de sair da rotina era pontos a favor. E lá fui eu, sem expectativas para essa viagem. 

Vou contar em vários posts sobre a viagem pra não ficar muito confuso, pra ter assunto e pra ficar mais fácil de aproveitar o conteúdo de cada um. Então vamos lá!

O tempo que eu fiquei no movimento empresa júnior foi de extrema importância para meu desenvolvimento pessoal e profissional, e quando essa experiência finalmente chegou ao fim, eu estava extremamente estressada. A conta do estresse não é negativa, mas é que tudo foi vivido com muita intensidade. O evento era como uma despedida, para tirar aquela sensação ruim do ápice do meu estresse, desespero... e pra começar, o dia que viajei foi o primeiro das novas regras para embarcar. Cheguei cedíssimo no aeroporto, conheci gente nova na sala de embarque e partiu Floripa. 

Como era um evento do movimento, estava, querendo ou não, na companhia das pessoas da empresa, então quase sempre eram, no mínimo, 15 pessoas andando juntas. Descolamos um serviço de transporte de van logo no aeroporto. Eles também nos transportaram quando saímos do hotel do evento e fomos para o hostel (que vou falar em outro post). Super recomendo o transporte, eles foram bem parceiros conosco. 

Ficamos hospedados no hotel Costa Norte, em Canavieiras. De acordo com vários sites da internet, ele é considerado um hotel 4 estrelas. Bom, eu concordo com essa classificação.

A estrutura do hotel é relativamente rústica, bem bonito. O atendimento foi impecável e o buffet no café da manhã era muito bom, apesar de não ter pão de queijo, hahahaha O restaurante do hotel é de frente para o mar, fiz questão de tomar todos os meus cafés da manhã olhando para aquele marzão maravilhoso. Eu não usei toda a estrutura do hotel como piscina, jacuzzi, sala de jogos, mas eu sei que existe tudo isso. Eu me hospedaria lá novamente, sem dúvida.



A parte ruim dessa vida ostentação foi estar frio e não ter muita opção na vizinhança de restaurante ou outros lazeres. Acabou que no primeiro dia entrei no primeiro restaurante que vi, um tal de Bar do Alemão e demorei exatos 2h30 para conseguir comer. Fui bem tonta e achei que pagar na hora que fiz o pedido era uma opção inteligente. Bem, não foi e não faça isso. Notei que apesar de toda a elegância e educação dos sulistas, não existe essa de dar um jeitinho ou fazer de tudo para fazer o máximo por você (mas a educação e gentileza supera, é sério!)



A minha cota de juventude se esgotou no ultimo dia de evento e qui fiquei no hotel. Eu sempre acabo virando a noite nas festinhas que tem, e quando estou em um lugar legal, como era o caso desse hotel, ver o sol nascer na praia é uma super opção. Saí da festa, sozinha por sinal, cheguei no hotel e fui direto pra praia. O hotel disponibiliza umas cadeiras de praia e lá fui eu, fui no quarto pegar mais um casaco e lenço, e fiquei sentadinha na areia vendo o sol nascer. Postei essa sequência de fotos no insta. Engraçado como essas oportunidades de reflexão são importantes. Em 2014, em uma situação parecida com essa, e a ideia mirabolante de ver o sol nascer na praia, eu estava rodeada de amigos. Eu estava super cansada, mas muito feliz. Eu tinha recebido um monte de informação, estava ansiosa, motivada. E eu não estava só. Em Floripa a percepção das coisas eram completamente diferentes. Nesse dia eu não sabia muito explicar. No outros dois dias que comentei acima que eu resolvi ficar a mais, tudo ficou mais claro...

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