31 de dez de 2014

Que se vá, 2014

Eu estava com vontade de fazer um post com esse saudosismo de fim de ano. Acredito que a vontade maior não é nem pelo o que foi o ano, mas porque, pela primeira vez, vivi minhas escolhas, e essas escolhas renderam conquistas que são minhas, que independem de pai, mãe e amigos.

O passar dos dias são equivalentes a leveza e facilidade com que as sementes do "dente-de-leão" se disseminam. Mal percebemos, e um movimento mais brusco, sem se preocupar com a minuciosidade da vida, dos relacionamentos e das atitudes, os dias passam, ou melhor, as sementes se vão, e nem percebemos.

A minha falta de talento para fazer e manter amizades não é mais novidade pra mim. Aceitei esse fardo da minha incompetência social e vivo a mercê de, às vezes, querer não querer ser detentora desta habilidade e estar rodeada de amigos, ou ao menos, ter certeza que eu sempre vou ter com quem contar. Por outro lado,  beijinho no ombro da sociedade pois sou o que sou, não o que dizem, e fico na minha, de boas, vivendo devagar, mas de forma mais minuciosa.

Estou a três dias aqui em Minas Gerais. Eu estava bem imersa na minha rotina lá em Brasília. Na verdade, nem estava por aquele anseio por férias, só queria meu notebook e conseguir me organizar. Aqui eu estou na roça, com direito a wifi por algumas horas no dia (funciona melhor a noite, blz) e 4 pirralhos barulhentos durante todo o dia. Pra fechar com chave de ouro, calor, MUITO calor. Aliás, calor em Brasília é nada perto daqui. Aí aquela pouca vontade de férias existe sim e eu quero sair da rotina sim. O que eu menos fiz na minha vida foi sair da rotina, e essa será a minha única meta para 2015: sair da rotina. Sair da rotina vai me fazer aproveitar mais as oportunidades, não ficar tão paranoica pela perfeição e fazer a distimia passar longe de mim.

Esse foi o meu ultimo ano trabalhando diretamente com gestão de pessoas. Empresa júnior (EJ) tem dessas coisas: apesar de fazer design, eu tenho a oportunidade de ter contato, ainda na graduação, com áreas empresariais que eu nem imaginaria. E esse contato não é superficial. Eu durmo e acordo pensando em liderança, empatia, resiliência, meta, estratégia, motivação, plano de ação, feedback, pessoas, pessoas e pessoas. E foi isso que eu escolhi. Papai, mamãe, migos, sempre estão ali, do ladinho, incentivando. Eles sabem que sou ajuizada e não vou me meter em nada que não tem sucesso como adjetivo, porém ninguém estava ali me dando mãozinha quando eu caia. Às vezes, eles nem percebiam essa queda.

A dualidade profissionalismo x vida pessoal correu solto. Até hoje eu não sei definir o que é levar a vida pessoal para o trabalho e nem o que é ser profissional levando em consideração a cultura da EJ que trabalho. Não tem como saber se isso for uma busca só minha. Gente para apontar isso ou aquilo, pautados em definições de internet e comportamentos pontuais das pessoas sempre tem, mas continuo a não querer ter certeza sobre isso, por enquanto.

Ser/estar na diretoria de gestão de pessoas foi um crescimento justamente por o meu principal trabalho ser lidar com pessoas. Gente, eu tenho preguiça de pessoas. Noventa e nove por cento dos meus dias eu tenho preguiça. Os outros 1% tinham que vencer os 99% todos os dias. Confesso que eu não era vitoriosa sempre, nem posso dizer se, ao menos, na metade do tempo eu fui, mas tentei, e essa tentativa que valeu.

Essa foi a minha diretoria em 2014! Só thcutchucos <3

No final dos dias da minha gestão fiz que questão de agradecer, mesmo que singelamente, todos que fizeram parte, diretamente, do meu trabalho, do sucesso que era só meu. Tem uma oração que chama 'Ladainha da humildade'. Ela é tão linda e me faz ser ainda mais egocêntrica. Egocêntrica para que cada palavra e atitude minha, seja minha, pensada, refletida e vivenciada por mim. Não preciso do reconhecimento dos outros e se algo der errado, aonde eu errei? Estranho pensar assim? O próximo passo é aprender a medir isso, a final de contas, cada um tem sua medida de água e sal para o tempero perfeito. No ultimo dia da reunião da minha diretoria, meu sentimento era de fracasso. Eu consegui fazer nem metade do que sonhava e nem cheguei perto da eficiência. Até ouvi isso: "não fomos eficientes, só tinhamos essa impressão porque eramos mais organizados que os outros". Doeu. Mas é aí que a Ladainha volta:

(...)
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.

(...)
Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuido, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
(...)


Sempre quis ser estimada e reconhecida. Na verdade, meu sonho é ser reconhecida pelo meu trabalho. "Aaah, essa vontade não pode ser pecado, fala sério". Pecado não é. Mas trabalho, estudo e labuta vem antes disso, e viver cada etapa disso, valorizando cada aprendizado e as relações interpessoais que vem junto com essas etapas, se faz necessário e indispensável.

A minha confusão mental é tanta, que eu aceitei mais um desafio para o próximo ano: vou acordar presidente desta linda empresa que eu me dediquei como gestora de pessoas (na verdade, só dia 14 vou me dar essa responsabilidade). Mais uma etapa que eu escolhi, e que vai me fazer sair da rotina, certeza!



Obrigada pelo ano, tchutchucos da DGP, Lamparineiros, migos do JUSES, migos da vida. Que hoje seja melhor que amanhã, e assim por diante.
Ester Sabino
Ester Sabino

Gosto de muitas coisas, e cada coisa que compartilho aqui são para, na verdade, guardar coisas que me fazem bem.

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