13 de jan de 2017

Entendendo algumas nuâncias

No post anterior comentei que fui para Florianópolis, fiquei em um hotel bem legal e foram momentos bem reflexivos, né? Então a continuação é ainda mais densa e reflexiva.

O fato é: eu nunca me senti tão só estando rodeada de tanta gente. Foi umas das sensações mais desoladoras que já tive. Eu sempre fui do time de não ficar muito em grupinhos, fechar a cara e deixar claro que não queria contato. Sempre foi bem natural esse comportamento. Nunca tive muita paciência e sempre foi 'normal' que as pessoas que estavam a minha volta entenderem que tá tudo ok, só é um dia sem risadinha. Porém, foi em Floripa, tão longe de casa, que percebi que não existia mais na minha rotina as tais "pessoas que estavam a minha volta".

Tem falas de professores do meu ensino fundamental que eu nunca vou me esquecer. A primeira é que quando entramos na quinta série, perdemos toda a nossa liberdade de imaginação e escrita. As coisas começam a ter regras, a serem categorizadas. A minha vontade de experimentação, intrínseca na minha personalidade, deixou que isso não acontecesse naquele instante, mas em algum momento aconteceu. A professora estava certa.

A segunda teoria é que os nossos melhores amigos, que vão ficar pra nossa vida toda são aqueles do fim do ensino fundamental, início do ensino médio. Depois vira tudo competição, cada um tem uma rotina. Essa teoria não aceitei tanto. Mas é uma teoria verdadeira. O fato é que não se constroi amizades quando não se tem uma rotina de relacionamento. Quando somos mais novos, a nossa rotina é muito fácil, muito previsível.

Ok, mas o que a viagem tem a ver com tudo isso? Foi ali que eu percebi que encontros e situações rotineiras não construíram uma amizade, que entende, "saca" aquelas nuâncias necessárias para as que "coisas" funcionem. Eu vivi um 2015 denso, cheio de altos e baixos, supondo que estava sendo altruísta e que em algum momento eu receberia um retorno. Passei 2016 inteiro tentando entender o que foi 2015. Não tenho conclusões certeiras.

Bom, voltando a viagem, resolvi dar uma volta pela cidade porque andar em grupo estava sendo um atraso de vida (era MUITA gente, cada um acha algo importante). Eu gosto de conhecer as coisas, o máximo que posso, porque eu não sei quando teria novamente um oportunidade de voltar ali. Então procurei no google maps "pontos turísticos". Já estava no meio da tarde e não dava para escolher um itinerário longe porque eu também não queria dar mole de ficar andando em um lugar que nem conheço a noite. No Maps vi uma igreja que parecia legal e dava para vê-la lá no alto, então resolvi ir lá. E fui seguindo o maps, andando e andando e andando pra sempre. E subi um morro enorme (eu nunca vou me acostumar, amo Brasília por me proporcionar uma vida sem morros). Cheguei e lá estava eu, em um lugar só, cheio de mato em volta, no 'quintal' de uma igreja fechada. Lá não tinha nada de interessante e a igreja não ia abrir. Tirei umas selfies e voltei.

Cemitério que tinha no caminho
Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição






No caminho tinha um coworking chamado 'o Sítio'. Me atrevi a "entrar" pra conhecer. Fui recebida educadamente por alguém que trabalha no espaço e só. Apesar de uma cidade "moderna", Brasília se perde na expressão da sua modernidade na rotina das pessoas. Esse tipo de espaço ainda não é comum aqui na cidade. Lugar maneiro, não me aprofundei muito, nada de mais, e só ;)



Na volta, fui andando e andando e resolvi voltar andando pro hostel (que é outra longa história). Nisso tinha que se rodear boa parte da lagoa. Nessa andança eu fui pensando, refletindo o porquê que eu estava sozinha ali e tinha feito essa escolha de andar sem companhia por aí. Eu não fazia ideia da onde estava, refletia se tinha sido uma boa escolha ficar na cidade esses dois dias a mais, o que tinha de errado com a minha personalidade ao ponto de ninguém fazer questão da minha companhia. É, reflexões difíceis e uma ou outra lágrima caindo. No caminho, uma moça muito colorida passou por mim. Hoje eu lembro pouco das feições dela, mas ela estava com roupa, maquiagem e cabelos coloridos. Passou por mim e logo me chamou. Me parou e me deu uma flor. "Essa flor nunca morre, assim como a nossa alma. Espero que ela te alegre e ilumine". Agradeci e continuei meu caminh, com o galho de flor na mão e pensando o que tinha significado aquilo. Claro que ela viu minhas feições tristes, mas o que ela fez ali foi se um significado e sutileza gigantes. Acalmou meu corasção.
Mais pra frente no caminho encontrei "um pessoal que estava no mesmo evento que eu, de Brasília, mas que eu conheci no dia anterior. "E aí Ester", lembraram do meu nome, me perguntaram porque não estava com meus colegas e disseram que tinham acabado de encotnrar eles. Parte do nosso caminho se coincidia, então fomos caminhando. Falaram dos planos para mais tarde e me convidaram: "aparece lá, tá aqui meu telefone, qualquer coisa me liga!".

Como a flor está hoje. A cor está menos intensa, mas tá aí. Deixo esse ramo guardado dentro de uma caixinha de papel.


Seria um esforço gigantesco ir e socializar, isso é muito difícil! O lado bom da história é que quando eu finalmente reencontrei meus colegas, eles tinham os mesmos planos.

Era um pub de Jazz, bem hipster. Finalmente entendi o sentido de alternativo. Para entrar, você pagava "quanto quiser". Quem toca é quem gosta de jazz, então se eu soubesse tocar, podia invadir o palco e participar dos arranjos da galera. Quem não sabia tocar mas estava  animado, se contentava em ficar dançando em volta do mini-palco. O espaço tem dois andares e é minúsculo! Logo lotou e acabou que a galera que me chamou pra ir nem consegui entrar. Não fiquei mais de duas horas no lugar porque logo em entendiei, e fui embora. Ainda sim, foi bem interessante, fiquei com vontade de frequentar ambientes de jazz e, sem dúvida, voltaria lá.

Foto no espelho da escada com algumas colegas. 

Nesse dia, meu dia terminou indo para o hostel e um esforço pra dormir tranquila.
Ester Sabino
Ester Sabino

Gosto de muitas coisas, e cada coisa que compartilho aqui são para, na verdade, guardar coisas que me fazem bem.

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